“O que a sua idade diz sobre você no ambiente de trabalho?”

A idade pode ser um fator limitante?

 

Depende. Depende de quem escuta. 

 

Pode sim limitar alguém. Se a pessoa que escuta acredita que existe uma “idade ideal” para a vaga que oferece ou acha que dependendo da “idade” a pessoa terá mais responsabilidade ou mais disposição, ou ainda pensa que pela “experiência própria” ela acredita ser muito difícil trabalhar com pessoas de idades diferentes, porque a comunicação não funciona –  para essa pessoa, o texto e o contexto já estão fechados, definidos e limitados.

 

Mas, dependendo de quem escuta, essa pergunta pode ser um texto aberto, em que cabem inúmeros contextos diferentes. Um texto aberto é feito para se descobrir o que está ali escrito e não para confirmar o que já se sabe. É uma leitura de palavra a palavra que vai descortinando significados, sentimentos e ideias, que vão sendo construídas ali no ato. E nesse caso, a idade será apenas um fio condutor da história que está sendo narrada ou escutada, a depender de que lado você esteja.

 

O fato é que o primeiro passo: estar aberto para descobrir, ao invés de confirmar. Passei algum tempo elaborando a pesquisa que embasou esse Talk e nesses momentos de pesquisa, sempre viro um “para-raio”, pois em todo lugar aparece alguém para me contar alguma coisa relacionada ao tema. Mágicas que acontecem na pesquisa? Não, apenas atenção dirigida mesmo, rsrs. 

 

O que escutei antes do Talk, durante o evento e nas demandas que apareceram pós-Talk deixaram marcas claras: todo mundo está com medo de lidar com a diferença e todo mundo está bastante cansado no mundo corporativo. 

 

Medo e cansaço são dois sentimentos complicados para se trabalhar o desenvolvimento pessoal, porque este precisa estar mais atrelado à curiosidade, descobertas e algum incômodo. Claro, afinal certos incômodos fazem a gente se movimentar, mas acredito que para as pessoas estarem envolvidas com alguma temática é preciso querer aprender. E o medo e o cansaço não são bons aliados para esses processos, eles geralmente paralisam e fazem com que a vontade de se mexer seja zero. Fazem também com que a gente acabe acreditando em qualquer bobagem por aí e passemos a nos relacionar com estereótipos e não pessoas.

 

Tenho trazido para as pesquisas da Como Leio a ideia de “nocebo”, que peguei emprestado do livro “Humanidade – uma história otimista do homem” para pensar nos nossos processos de resistências sobre determinados assuntos. Ao contrário do conhecido placebo, que cria em nossa mente uma ideia positiva sobre algo que acaba “convencendo” nosso corpo, o nocebo seria uma ideia negativa pré-concebida a respeito de algo e que no fim produz de fato efeitos negativos, criando uma realidade ruim.  

 

Se acreditarmos que uma pessoa com uma idade diferente não é confiável, como será que nos relacionamos com ela? E como será que ela reage a esse tratamento que dou? Se eu acredito que existe de fato uma “idade ideal” para algo, quantas chances de descobrir caminhos alternativos tenho deixado passar? Quanto mais a gente acha difícil trabalhar a diferença de idade, mais difícil vai ser na prática porque essa temática vai virar um nocebo! Nos distanciamos do que nos causa desconforto e assim criamos abismos entre nós e a diferença. E o que precisamos diante da diferença é justamente o contrário, precisamos chegar perto para poder entender esse outro ponto de vista, essa outra vivência, essa outra leitura.

 

Para que o texto permaneça aberto, como comentei no início, precisamos exercitar algumas habilidades no caminho:

 

  • ampliar a compreensão sobre o assunto;
  • aumentar o repertório;
  • praticar escuta ativa;
  • aprender a elaborar melhores perguntas;
  • exercitar a imaginação;

 

Se não imaginarmos caminhos mais efetivos e afetivos para a temática da diversidade geracional, o mercado cruelmente já encontrou o dele, cristalizando diversidade geracional como um dos maiores nocebos do momento. Agora, cabe a cada um de nós revertermos essa leitura.







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